Desafios Web 2.0 em Educação

Blog de Apoio ao Artigo “Desafios Educacionais em Ambientes Web 2.0″

Triagem de Informação – Ensino Superior

Neste nível, parte-se do princípio de que o estudante já adquiriu boas competências para fazer pesquisas autónomas e planificadas, reconhecendo a informação relevante e organizando-a segundo critérios de pertinência. Na pesquisa e análise da informação, relacionada com a temática escolhida para o seu trabalho de investigação, o estudante poderá recorrer a métodos e técnicas de investigação de várias ciências, nomeadamente as sociais, atendendo aos três princípios postulados pelo pensamento científico:

- «O princípio da objectividade permite-nos compreender que as coisas não são na realidade tal como nos aparecem (…) - O princípio da inteligibilidade mostra-nos que a realidade é inteligível, que existem relações entre os factos (…) - O princípio da racionalidade diz-nos que é possível exprimir num discurso coerente as relações existentes entre os factos, pois elas podem ser ligadas e ordenadas segundo regras lógicas através do raciocínio.» (António Fernandes, 2005)

Apontam-se, de seguida, algumas estratégias para filtrar a informação na web e fazer dela bom uso:

1. Distinguir fonte “consciente” e fonte “inconsciente”: as fontes conscientes são «testemunhos redigidos por homens que declaram ter assistido ou participado nos factos relatados ou que se julgam capazes de os narrar com exactidão.» (P. Salmon, sd); as inconscientes, são «vestígios deixados pelos factos independentemente da vontade dos homens que neles intervieram (exemplo: a cerâmica grega).» (P. Salmon, sd);  Relativamente às fontes conscientes, a crítica deverá responder à questão: qual a intenção ou objectivo do autor da fonte, quando a elaborou? Trata-se do critério da intencionalidade.

2. Distinguir fonte primária e fonte secundária: as fontes primárias (ou directas) remontam à época que se está a estudar. As secundárias (ou indirectas) são trabalhos ou estudos baseados na fonte original ou primária. De acordo com Ciro Cardoso «A distinção entre fontes primárias e secundárias é de natureza epistemológica e metodológica, e indica que as primeiras são a base principal de uma verdadeira investigação, que pretenda carrear conhecimentos novos.» (Ciro Cardoso, 1981) Assim, sempre que existam, o estudante deve recorrer primeiro às fontes primárias e só depois às secundárias.

3. Proceder à crítica da fonte: tomando como exemplo a metodologia historiográfica, o estudante poderá ter em atenção as seguintes modalidades de crítica:

- A crítica externa ou de autenticidade: verifica o valor extrínseco, externo de um documento; se é original ou apenas uma cópia; se apresenta falsidades; se é falso ou verdadeiro; no caso de ser falso, qual foi a intenção do autor? No caso das fontes provenientes da web, isto pode conseguir-se cruzando fontes que abordem o mesmo assunto. Neste âmbito, cabe também fazer uma crítica de proveniência: quem é o autor? É anónimo? Pertence a um grupo ou instituição reconhecida? Quando redigiu o documento? Está datado?

- A crítica interna ou de credibilidade: verifica o valor intrínseco, interno, de um documento. Com este tipo de crítica, frequentemente identificada com a hermenêutica, pode fazer-se a triagem entre o “verdadeiro” e o que não pode ser considerado como tal. Assim, atender: à crítica de interpretação – conhecer a língua em que o documento foi elaborado e tentar apreender o sentido do texto, clarificando vocábulos ou expressões utilizadas pelo autor; à crítica de competência – trata-se de examinar a qualidade da fonte, dando atenção aos comentários subjectivos, se visa ou não a totalidade do assunto em causa, se apresenta citações, referências e bibliografia; se utiliza um estilo rigoroso, implicando a observância das regras ortográficas e gramaticais; à crítica de veracidade – averiguar o que é verdadeiro; aconselha-se a “dúvida metódica”, que, aplicada a uma fonte web se deve transformar em “desconfiança metódica”; ter em conta questões como: o autor quis enganar deliberadamente o leitor? Teve algum interesse em mentir? Há motivos para desconfiar das afirmações feitas?; à crítica de rigor verificar se há acordo entre os factos relatados. Segundo P. Salmon, esta «esforça-se por detectar os erros involuntários na menção escrita de um facto.» (P. Salmon, sd);

4. Seleccionar as fontes: a selecção das fontes deve passar por uma pesquisa cruzada, comparando e confrontando os diversos testemunhos. Com efeito «o facto de se notarem certas divergências entre os testemunhos (…) abona mais favoravelmente quanto à originalidade dos respectivos documentos do que se houver uma concordância perfeita. É que, neste último caso, poderá muito bem tratar-se de cópia ou plágio.» (José Mendes, 1993)

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