Desafios Web 2.0 em Educação

Blog de Apoio ao Artigo “Desafios Educacionais em Ambientes Web 2.0″

Triagem de Informação – Ensino Secundário

A utilização da Internet, e principalmente de ferramentas da designada Web 2.0, potenciam uma interacção entre o objecto de estudo e as comunidades ou participantes nesta actividade de pesquisa e apropriação do conhecimento que podem ser utilizadas pelos docentes na dinamização de trabalhos e estratégias de investigação e reflexão teórica de cariz científico ou pré-científico.

A construção do trabalho partindo da utilização da Internet como fonte de informação tem alguns pressupostos inerentes e a ter em conta, nomeadamente:

a)      Que o trabalho tendo uma vertente individual possa ser partilhado com a turma;

b)      Que a visão do docente em relação aos objectivos a atingir se centre, não só no rigor dos conhecimentos adquiridos pelo aluno, mas também, no processo de construção da reflexão e da pesquisa em si.

c)      Que, caso o trabalho se realize em grupo, a estratégia de mobilização de competências seja transversal, não só no grupo em si, como entre grupos.

d)     Que, no caso do trabalho em grupo, a auto-regulação da participação, do rigor e da gestão do conhecimento seja realizada em função do objecto do conhecimento/reflexão, assim como, do processo pelo qual este é atingido, sendo o docente o moderador desse mesmo processo, intervindo com um papel de facilitador das aprendizagens, assim como, de monitor da qualidade.

Assim, e tendo por base estes princípios orientadores, temos como mecanismos e estratégias de triagem da informação os seguintes 6 exemplos práticos e orientadores:

  1. Que o aluno se sinta produtor de conhecimento, assim como, consumidor do mesmo. Esta estratégia pode passar pela partilha de comentários nos sites/blogues que consulta na Internet. Esses comentários devem ser orientados, num primeira fase pelo docente, alargando depois a autonomia ao aluno quando este demonstrar à vontade no assunto alvo de investigação.
  2. O aluno deve ser orientado a confrontar as fontes de informação de uma forma comparativa. Para cada citação ou utilização de partes da informação facultadas pelos sites consultados, deve o aluno ser orientado para a comparação e indicação de mais do que uma fonte.
  3. A pesquisa orientada deve ser promovida pelo docente em função do tema de estudo, assim como, do processo pelo qual o aluno analisa as fontes e as considera relevantes ou não. Uma das estratégias a implementar pode ser o uso de um sistema de SocialBookmarking. No entanto, e no caso de desconhecimento destes recursos ou estratégia do docente, podem os alunos enviar as páginas consultadas por e-mail para o professor com um comentário ao que de relevante destacam na fonte consultada.
  4. A elaboração de uma listagem de sites de consulta presente na webgrafia do trabalho, assim como, que potencialmente pode ser actualizada pelos alunos no desenvolvimento do seu trabalho de investigação é um dos mecanismos que permite a gestão do conhecimento colaborativo em turma/grupo e a nível individual. Para esta estratégia pode ser utilizada uma Wiki, ou simplesmente, o uso de comentários num blog onde o tema seja uma listagem prévia de sites a visitar criada pelo docente que é enriquecida pelos alunos no decurso das suas pesquisas.
  5. A pesquisa colaborativa pode ser uma estratégia a destacar no controlo e triagem da informação. Quando realizada em contexto de grupo/turma, sobre conceitos, conhecimentos ou temáticas muito concretamente identificadas e de cariz científico, a formulação de uma questão concreta e pesquisa em vários sites, de forma livre pelos alunos/grupos potencia uma análise crítica através de um debate orientado pelo docente que pode servir de regulador e de triagem da qualidade da informação aferida pelos alunos.
  6. Um mecanismo de trabalho individual de triagem da informação que pode ser usado a nível do trabalho científico com alunos do ensino secundário é a confrontação entre a informação pesquisada na Internet e aquela que se encontra presente nos manuais escolares. Uma das estratégias passa pela comparação e complementaridade dos dados encontrados com aqueles presentes no manual. Pode ser pedido aos alunos que completem uma das partes temáticas existentes no manual com informação tríada e analisada nas pesquisas realizadas por estes.

Por último, pensamos que estrategicamente é essencial que os alunos ganhem consciência que a produção de conhecimento não é, muitas vezes, conseguida pela leitura de fontes que trabalham elas mesmas sobre as fontes originais. Esta visão de passarem, os alunos, de meros elementos que reflectem sobre uma temática a serem também alvo de análise e comentário por outros permite um enriquecimento quer ao nível do que é a utilização da informação em contexto da Web 2.0, assim como, do próprio conhecimento científico enquanto produção individual ou colectiva em contexto de aprendizagem.

Ainda sem comentários »

O seu comentário:

HTML-Tags:
<a href="" title=""> <abbr title=""> <acronym title=""> <b> <blockquote cite=""> <cite> <code> <pre> <del datetime=""> <em> <i> <q cite=""> <strike> <strong>